Espaços de Atenuação Climática

Os Espaços de Atenuação Climática são espaços que, apesar de exteriores, estão protegidos das intempéries e se tornam habitáveis ao longo de quase todo o ano.

Os espaços de atenuação climática podem ser, entre outros, varandas, áreas ajardinadas junto a fachadas de edifícios, recuos na fachada e nichos. São espaços que, apesar de serem exteriores, beneficiam de um grau de protecção das intempéries que os torna habitáveis ao longo de quase todo o ano. Têm também um efeito atenuador em relação à optimização do comportamento térmico dos edifícios e constituem uma camada de protecção entre o interior e os extremos do clima exterior. Na cidade, os espaços semi-exteriores ou de transição são extremamente importantes, porque quando são bem explorados permitem às pessoas passar mais tempo em contacto com o ar exterior, que, como anteriormente referido, tem maior qualidade do que o ar interior. Criam as condições de conforto para as pessoas se poderem sentir bem em espaços exteriores, mesmo quando o clima, por si só, não oferece conforto, permitindo assim que certas actividades mais poluidoras possam ser exercidas no exterior e não poluam o ar interior. Estes espaços de transição conferem uma sensação libertadora.

Encontram-se entre duas identidades marcadas (a interior e a exterior) que se anulam ou se sobrepõem nestes espaços, fazendo com que a sua experiência liberte o utilizador das condicionantes que, normalmente, restringem a sua perspectiva existencial.

Objectivamente, os espaços semi-exteriores contribuem para:

  • Atenuar as intempéries, nestes espaços de transição, permitindo a sua utilização durante uma considerável parte do ano;
  • Interagir, efectiva e alargadamente, entre o exterior e o interior, explorando o potencial de espaços de transição (“buffer zones”), permitindo enriquecer a qualidade de vida de qualquer pessoa, porque oferecem a possibilidade de usufruir do exterior sem sofrer os efeitos menos confortáveis do clima;
  • Criar uma transição entre o interior e o exterior, representando também um enriquecimento estético do panorama urbano pela sua integração no meio construído, porque, ao criar profundidade nas fachadas, conferem ao meio edificado mais informação do que uma simples fachada plana consegue revelar.

Criar condições de conforto no contexto climático mediterrânico foi um desafio intensamente abraçado pela Universidade de Sevilha que desenvolveu e realizou, no âmbito da Feira Internacional EXPO ‘92, um conjunto de espaços exteriores diferentes, extremamente atractivos e com um excelente desempenho, em termos de conforto. Em alguns destes espaços exteriores foi possível baixar, em pleno Verão, a temperatura em 10ºC, quando comparada com a temperatura exterior local, predominantemente através de medidas passivas, mas explorando também algumas medidas activas.

A Universidade de Cambridge, mais precisamente o Martin Centre, tem igualmente desenvolvido estudos e programas ambiciosos e relevantes na área do conforto em espaços exteriores.

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